PARÁFRASE E POLISSEMIA
"A incompletude é a condição da linguagem: nem os sujeitos nem os sentidos - logo, nem o discurso - já estão prontos e acabados. Eles estão sempre se fazendo, havendo um trabalho contínuo, um movimento constante do simbólico e da história.
É a condição de existência dos sujeitos e dos sentidos: constituirem-se na relação tensa entre paráfrase e polissemia" (Eni Orlandi)
14.10.10
5.10.10
21.9.10
7.9.10
17.5.10
sobre DEUS
(contou-me uma querida)
Estava ajudando a Rachelzinha (4 anos) a se vestir um dia desses, quando ela se virou e me disse:
- Sozinha, mãe, sozinha... eu já sou grande.
Decidi, então, deixá-la se vestir sozinha, embora percebesse claramente que aquilo não ia dar certo.
A Rachel estava vestindo uma dessas blusas de manga comprida, de algodão, que - para piorar - estava do avesso.
Como esperado, ela enrolou a blusa, colocando-a meio do lado certo, meio do avesso e tentou encaixar a cabeça no lugar de um dos braços.
Toda enroscada e mal conseguindo se mexer - porém antes de se sufocar – voltou-se para mim e disse:
- Ajuda, mãe, ajuda...
Não lhe disse um mal-humorado: “agora se vira sozinha”.
Como mãe paciente, ajudei-a a se vestir.
A parte mais dolorida, no entanto, é percebermos que quando estamos completamente enroscados em uma blusa, não há meios de concertar aquilo.
É necessário tirar a blusa e começar tudo do zero.
Virando-a do lado certo e colocando cada membro em seu lugar.
(contou-me uma querida)
Estava ajudando a Rachelzinha (4 anos) a se vestir um dia desses, quando ela se virou e me disse:
- Sozinha, mãe, sozinha... eu já sou grande.
Decidi, então, deixá-la se vestir sozinha, embora percebesse claramente que aquilo não ia dar certo.
A Rachel estava vestindo uma dessas blusas de manga comprida, de algodão, que - para piorar - estava do avesso.
Como esperado, ela enrolou a blusa, colocando-a meio do lado certo, meio do avesso e tentou encaixar a cabeça no lugar de um dos braços.
Toda enroscada e mal conseguindo se mexer - porém antes de se sufocar – voltou-se para mim e disse:
- Ajuda, mãe, ajuda...
Não lhe disse um mal-humorado: “agora se vira sozinha”.
Como mãe paciente, ajudei-a a se vestir.
A parte mais dolorida, no entanto, é percebermos que quando estamos completamente enroscados em uma blusa, não há meios de concertar aquilo.
É necessário tirar a blusa e começar tudo do zero.
Virando-a do lado certo e colocando cada membro em seu lugar.
6.4.10
12.3.10
CASA
Há um prédio baixo, 3 andares, desses sem portaria ou elevador, próximo ao meu. É um prédio de pastilhas verdes e fachada já bastante desgastada.
Passo em frente a ele todos os dias em minha caminhada matinal rumo a faculdade e todos os dias leio a pixação acima do portão da garagem:
"eu só queria voltar para casa!
23/11/2003"
Já imaginei um sem número de histórias que terminam com essa frase.
Nos meus dias mais otimistas, imagino um casal que tenha se separado... Imagino que ele (a letra parece-me masculina), entre outros pedidos de reconciliação, tenha feito a pixação.
Imagino que a reconciliação tenha sido bem sucedida e que os dois vivem hoje - felizes - no prédio e que juntos dividem aquela garagem.
A mensagem não foi apagada para que não se esqueçam e nunca voltem a se separar.
Em dias menos otimistas, decido triste que eles nunca voltaram a ficar juntos. E que, para evitar o incômodo da memória, ela tenha se mudado dali já há bastante tempo.
Da mensagem na parede, nenhum dos dois se lembra mais.
Sempre que leio a frase, penso que eu também gostaria de voltar para casa...
Há tempos que meu apartamento perdeu esse conforto de lar.
Ando planejando me mudar, mas não tenho certeza que a troca de endereço seja suficiente para me trazer de volta para minha casa.
Há um prédio baixo, 3 andares, desses sem portaria ou elevador, próximo ao meu. É um prédio de pastilhas verdes e fachada já bastante desgastada.
Passo em frente a ele todos os dias em minha caminhada matinal rumo a faculdade e todos os dias leio a pixação acima do portão da garagem:
"eu só queria voltar para casa!
23/11/2003"
Já imaginei um sem número de histórias que terminam com essa frase.
Nos meus dias mais otimistas, imagino um casal que tenha se separado... Imagino que ele (a letra parece-me masculina), entre outros pedidos de reconciliação, tenha feito a pixação.
Imagino que a reconciliação tenha sido bem sucedida e que os dois vivem hoje - felizes - no prédio e que juntos dividem aquela garagem.
A mensagem não foi apagada para que não se esqueçam e nunca voltem a se separar.
Em dias menos otimistas, decido triste que eles nunca voltaram a ficar juntos. E que, para evitar o incômodo da memória, ela tenha se mudado dali já há bastante tempo.
Da mensagem na parede, nenhum dos dois se lembra mais.
Sempre que leio a frase, penso que eu também gostaria de voltar para casa...
Há tempos que meu apartamento perdeu esse conforto de lar.
Ando planejando me mudar, mas não tenho certeza que a troca de endereço seja suficiente para me trazer de volta para minha casa.
9.2.10
FEDORA
No livro 'As cidades invisíveis', Italo Calvino diz que na cidade de Fedora há um palácio de metal repleto de esferas de vidro. Dentro de cada esfera, há um modelo-projeto para uma nova-outra cidade.
"Em todas as épocas, alguém, vendo Fedora tal como era, havia imaginado um modo de transformá-la na cidade ideal, mas, enquanto construía o seu modelo em miniatura, Fedora já não era mais a mesma de antes e o que até ontem havia sido um possível futuro hoje não passava de um brinquedo numa esfera de vidro".
Lendo o texto, verifiquei que os muitos mini-projetos que tracei para minha vida ideal, encontram-se hoje em esferas de vidro inúteis, impossíveis e atrasadas, tais como as de Fedora.
Como uma criança teimosa em rixa com seu brinquedo educativo, insisto em querer encaixar o círculo em um quadrado.
Quanto tempo será necessário para perceber o impossível?
No livro 'As cidades invisíveis', Italo Calvino diz que na cidade de Fedora há um palácio de metal repleto de esferas de vidro. Dentro de cada esfera, há um modelo-projeto para uma nova-outra cidade.
"Em todas as épocas, alguém, vendo Fedora tal como era, havia imaginado um modo de transformá-la na cidade ideal, mas, enquanto construía o seu modelo em miniatura, Fedora já não era mais a mesma de antes e o que até ontem havia sido um possível futuro hoje não passava de um brinquedo numa esfera de vidro".
Lendo o texto, verifiquei que os muitos mini-projetos que tracei para minha vida ideal, encontram-se hoje em esferas de vidro inúteis, impossíveis e atrasadas, tais como as de Fedora.
Como uma criança teimosa em rixa com seu brinquedo educativo, insisto em querer encaixar o círculo em um quadrado.
Quanto tempo será necessário para perceber o impossível?
19.1.10
ERA UMA VEZ...uma menina que não queria mais dormir.
Não sofria de insônia e permanecer acordada era a duras penas.
Não dormia porque tinha medo de acordar.
Não dormia porque tinha medo de o tempo se apressar enquanto ela se distraia...
Não dormia porque tinha medo de sonhar.
Sonhar, somente acordada.
Sonhos planejados e altamente controlados.
Até que um dia...
Desistiu dos sonhos errados que sonhou para si.
Arrumou-se o mais rápido que pôde para em um sono profundo - como quem vai ao cinema - assistir aos sonhos que desenharam para ela: sonhos bons, perfeitos e agradáveis.
16.1.10
O relacionamento entre duas pessoas pode ser comparado a duas folhas de papel de cores diferentes que, se coladas uma a outra, mesmo que breve o instante em que permaneçam unidas, quando separadas, não mais voltam ao que antes eram.
Haverá marcas e sobras de uma cor na outra.
Imagino-me uma folha de papel branco cheia de desgastes e resíduos (perdas e aquisições).
As cores não são tantas, porém muitas mais do que eu hoje escolheria para mim.
Aprendi com cada um de vocês:
- aprendi que primeiro devo ser uma boa compania para mim mesma
- aprendi silêncio
- aprendi paciência
- aprendi que tenho muito ainda por aprender
- e quase aprendi a não mais me importar...
Somente com Ele aprendi a enxergar de novo...
...e pela primeira vez.
Sinto precisar de um banho desses longos que levem os resíduos indesejáveis mas também os necessários...
... será que hoje vai chover?
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